domingo, 8 de julho de 2007

Procurados (Quarto capitulo de "A Jéssica")

- Até que enfim! Não agüentava mais ficar no meio do mato
Entreolharam-se. João Vitor analisava o braço e procurava caroços, picadas de insetos. Cravava a unha e coçava, malditos pernilongos! Andavam devagar, na verdade quase parando, apesar da pressa pra voltar ao meio urbano.
- É isso que dá seguir as idéias da Jéssica!
A expressão de Jéssica não era das melhores. Fitou Ykkie e resmungou:
- Você veio porque quis. Ninguém te carregou ou te obrigou.
Aquilo tudo já estava quase acabando. Já avistavam casas e asfalto, o humor já era aceitável. Riam do acontecido, tão alto, faziam alvoroço enorme. Eram capazes de acordar moradores a quilômetros de distancia. Era cedo e a rua estava deserta. Avistaram um carro vindo na direção deles:
- Olha, a polícia!
- Devem estar nos procurando!
Ledo engano. Aliás, procurando sim, mas não por causa do desaparecimento deles e sim pela arruaça que estavam causando. Era quase madrugada, e não era a hora mais apropriada para estar na rua, fazendo bagunça.
Pararam os quatro no meio da rua, ao lado do carro da polícia. Desataram a gargalhar:
- Qual a graça, hein?!
- Já estávamos voltando pra casa seu polícia, disse Jéssica, a porta-voz.
- Ahh, é bom mesmo, olhou o relógio, isso não é hora de perambular na rua. Vocês já acordaram um bocado de gente!
- Mas, vocês não estavam no procurando?
- É, houve uma denuncia de arruaceiros.
Não entenderam, calaram-se. Sem reação. Pareciam tem visto um fantasma, daqueles de lençol. Era o que estavam esperando, a policia procuraria por eles, mas não por causa da bagunça. Os policiais estavam ali apenas para advetir:
- Andem! Voltem pra suas casas, se eu ver vocês na rua levo os quatro pro xilindró!
Esperaram o carro da policia afastar e estancaram no riso:
- É tudo culpa do João!
- Eu? É assim Ykkie?
Andaram mais um pouco, no meio da rua mesmo, não viam nem carro nem gente, sem problema.
- Vamos parar na casa da Isabela, agente aproveita e fila o café da manhã!
A fome apertava e não hesitaram em concordar com Jéssica. Essa talvez tenha sido a única boa idéia dela, pensaram. Além do mais, a casa da Isabela era bem ali, em frente. Não consideraram o horário, era cedo demais para incomodar na casa alheia. Sentaram no meio fio e esperaram enquanto Klinton tocava a campainha.
- Essa campainha ta estragada!
Não estava estragada...

domingo, 29 de abril de 2007

Dormir! Dormir... Dormir? (Terceiro capitulo de “A Jéssica”)

Acomodaram-se no chão. Os quatro, debilitados pelo cansaço, olham furtivamente para Jéssica, que desembolsava as toalhas. Escolheu uma e jogou a mochila de lado:
- Eu acho que dá pra todo mundo, mas a maior é minha!
A maior só poderia ser dela. Jéssica era alta e robusta e com um tapa desmontava qualquer machão. Ninguém ousava desafia-la, a não ser Fabiano, que de uns tempos pra cá, tentava impor autoridade:
- Ai que frio! Tenta fazer fogo aí Jéssica!
- Ah é?! Engraçadinho? Se depender de mim você morre congelado!
Resolveram ir juntos. Apesar das brigas constantes, eram inseparáveis. Recolheram alguns gravetos pelo caminho e juntaram em forma de fogueira. Acreditavam nos desenhos animados, fariam fogo a partir do atrito entre dois pedaços de madeira. Sim, era possível, mas não conseguiram nada mais que dois filetes de fumaça. Desfizeram-se dos gravetos e foram dormir. Tentar dormir. Passariam frio por uma noite:
- Ai, que frio!
Antes de deitar ainda discutiram quem deitaria ao lado de quem, sob advertência de Ykkie:
- Já tô avisando! Eu chuto e rolo a noite toda...
Jéssica e Klinton não se importaram de deitar ao lado de Ykkie. Com o sono que estavam nada os acordaria, nem se o mundo despencasse. Foi o que pensaram.
Disposição dos corpos: Fabiano, Klinton, Ykkie, Jéssica e João Vitor. Enrolaram-se nas toalhas. O primeiro a dormir foi Ykkie, que inquieto, roçava a perna em Jéssica e atirava o braço em Klinton. Jéssica se afastava e empurrava João Vitor que não conseguia dormir com o ronco de Fabiano, que rolava mato adentro, empurrado por Klinton. Quando Klinton, pela primeira vez, consegue pregar os olhos, recebe uma pernada de Ykkie, bem nas partes baixas. Desta vez não ficou barato: Klinton devolve a pernada:
- Ai, que coisa hein?! Isso machuca!
Fechou os olhos, enrolou-se na toalha e virou pro lado, pra dormir novamente. Só que agora ouvia o ronco de Fabiano, que dormia bem longe dali (Klinton não agüentava mais, rolou Fabiano até onde podia) agarrado em um tronco. Ykkie não dormiria mais. Essa era a chance de Jéssica e Klinton dormir. Isso se João Vitor não acordasse a seguir, puxasse a toalha de cada um, e, com uma corda na mão, gritasse:
- A corda, a corda!
Acordaram de mau humor. Menos Fabiano, que estava satisfeito com sua noite de sono, só resmungava de dor nas costas. Levantaram, calados, recolheram as toalhas e entregaram pra Jéssica, que dobrava e recolocava na mochila. Já estava bem claro e era hora de voltar. Justamente o que fizeram. Agora sim chegaria a casa...
domingo, 15 de abril de 2007

As peripécias do caminho de volta (Segundo capitulo de “A Jéssica”)

Fabiano, pela primeira vez, reage:
- Mas João, como você sabia que estávamos aqui?
- Sabendo ué! Vocês juntos, boa coisa não estariam fazendo.
Jéssica interrompe:
- Ô João, como que agente vai voltar nessa escuridão?
- Eita!
Ykkie brinca:
- Ih, pretinha, acende o farol aí!
Klinton anuncia:
- Fabiano, treze meia treze, pelo fim da piada!
E não era piada. Os cinco estavam perdidos. O vento soprava as folhas das árvores, o lago acompanhava o movimento, formando pequenas ondas. O caminho para casa todos conhecia, há de se dizer que era um pouco distante, nada que uma boa memória não solvesse. O problema era a escuridão. Não havia luz, nem ao menos uma lanterna. Ninguém imaginava as horas, tampouco cogitavam ficar ali até completo entardecer. Enquanto isso Jéssica mordiscava um biscoito murcho que residia em sua mochila há tempos. Fabiano tentava manter a calma. Não que estivesse alguém nervoso. Ele sempre matinha calma. João, Ykkie e Klinton tentavam pensar em alguma solução. Mas a única solução encontrada foi seguir o caminho indicado por Jéssica, que, decidida ser o caminho certo, apontou:
- Agente vai por aqui!
Nenhuma objeção. Jéssica caminhava na frente acompanhada de João, seguidos de Ykkie, Klinton e Fabiano. Como explicariam o sumiço repentino? Qual desculpa inventariam? Confabulavam:
- Ó, agente fala que tava na casa do Jader...
- Ahh é? O que estaríamos fazendo lá, João Vitor?
- Era aniversário dele, fomos à festa.
- É... , boa idéia né Ykkie?
- É pretinha!
E seguiram por um caminho tortuoso, cheio de pedras. Ykkie pensa alto:
- Já era pra gente ter chegado...
Jéssica percebe que indicou caminho errado. Recosta-se em Klinton e faz-se introspectiva. Depois de algum tempo sugere:
- Ah, gente, vamos parar aqui, não agüento andar mais, agente deita e amanhã de manhã...
Klinton interrompe:
- Ah é? Dormir no mato, no chão?
- Então você segue sozinho, eu fico por aqui.
- Quero só ver!
- Eu tenho umas toalhas na mochila, dá pra quebrar o galho. Conciliaram. Andaram mais um pouco, procuraram um matinho aconchegante, uma árvore de copa larga, para finalmente descansarem. Mas eles não descansaram...
domingo, 8 de abril de 2007

A Jéssica (Uma história pseudo-infantil)


Jéssica era uma menina muito serelepe. Vivia fazendo traquinagens. Certo dia Jéssica resolveu fugir de casa, para nadar no lago “João Morreu”. Chegando lá, com seus coleguinhas Fabiano, Ykkie e Klinton, viu que o lago estava sujo.
Arquivo Vivo

Estante de Assuntos